quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A Argentina dá tiro no próprio pé, mais uma vez

A Argentina parece ser dirigida por pessoas sem a menor noção da realidade, dando da presidente como de seus ministros.

O primeiro caso é a proibição em lei de divulgação de índices de inflação de órgãos não oficiais do governo. É como que a FIPE e FGV fossem proibidas de divulgarem seus cálculos inflacionários, sendo permitido apenas o índice oficial do IBGE. Isso é a coisa mais estúpida que já vi; tentar mascarar o verdadeiro índice de inflação do país. A primeira burrice é porque o problema não é combatido como deveria ser, a segunda é porque os salários terão reposição inflacionária apenas pelos índices oficiais 50% menores que os índices reais de inflação.

O governo manipula os índices e divulga que a inflação argentina não chega a 2 dígitos, isto é, não chega a 10% ao ano, ficando da ordem de 8 a 9%. Cálculos não oficiais chegam a mais de 20% ao ano. Em 4 anos, as perdas acumuladas no salários chegarão 50%, isto é, o poder aquisitivo dos salários será 50% menor, se antes o cidadão comprava com seu salário um carrinho cheio no supermercado, passará a comprar apenas meio carrinho.

A segunda burrice argentina é querer controlar totalmente a entrada de produtos importados, sobretudos do Brasil. Dizendo se o produto poderá entrar ou não e o quantitativo que poderá entrar, principalmente nos automóveis. Ora, existem acordos comerciais bilaterais do setor automotivo. Carros oriundos da Ásia pagam 30% a mais de IPI, oriundos da Argentina não pagam nada. Para cada carro que exportamos para a Argentina, importamos um carro de lá.

Quando um país começa a desrespeitar os acordos comerciais, está desrespeitando os países com os quais fez os acordos, passível de sanções por parte da OMC (Organização Mundial do Comércio). Pelo visto é o que a Argentina está querendo, retaliações sérias. O Mercosul na verdade passou a ser uma piada. Por sinal, há tempos já era, mas agora tomou forma mais concreta (piada pronta).

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Fim do Euro, será?

Há vários meses atrás quando começaram a aparecer crises financeiras nos países da Zona do Euro, falei que o Euro iria sucumbir e velhas moedas iram voltar à tona, como a Dracma da Grécia, Lira da Itália, etc.
Vi os presidentes e primiers dos países dizendo que isto seria um absurdo, que o Euro jamais iria acabar e que nenhum país sairá da Zona do Euro, composto atualmente por 17 países.

Pois hoje, saiu uma reportagem no jornal Valor Econômico, dizendo que os líderes europeus ja demonstram pensamento favorável à saída dos países endividados e a volta de suas moedas. O primeiro país cotado a sair do Euro é a Grécia, o mais endividado e afundado economicamente. O medo é que crises nos países mais pobres e endividados recaiam em demasia sobre os países que estão em melhor situação econômica e creditícia, fazendo um verdadeiro dominó sobre o sistema. O Banco Central Europeu não tem mais o que fazer, não há dinheiro suficiente para todos.

Vale lembrar que o maior problema da Zona do Euro é que os presidentes ou premiers perderam o domínio sobre suas políticas monetárias, não podem conceder mais crédito ou menos crédito, dependem de uma política única, a do Bacen Europeu. Os países perderam sua independência monetária e creditícia.

Vamos esperar para ver no médio prazo como se portará a Zona do Euro, mas a tendência é que alguma ruptura aconteça e que o retorno de um país a sua velha moeda possa desencadear um efeito em cascata, levando outros países ao mesmo destino.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pobres dos Estados Unidos são a classe média brasileira!

Segundo dados do governo norte-americano, os EUA estão com 39 milhões de pessoas consideradas pobres. O governo enquadra como pobre toda família cuja renda anual seja inferior a US$ 24 mil. Tudo isso? O valor equivale a R$ 42 mil. Passando o valor para mensal, temos R$ 3500,00. Ora, a classe média brasileira, tida como classe C tem renda entre R$ 1500 e R$ 4000. Resumindo, comparando com a renda do norte-americano, a grande classe média brasileira na verdade não existe!

Por décadas sempre olhamos a nossa renda com valores em US$, depois passamos a utilizar o Real e ainda alongamos a escala,  isto é, como considerar classe média uma família com renda de R$ 1500 e uma família com renda de R$ 4000 mês. Os padrões de consumo são muito diferentes. Por isso grandes bancos falam em C-, C e C+, criaram classes intermediárias. Há poucos anos atrás, quando fiz meu mestrado em Economia do Desenvolvimento, classe média era famílias com rendas superior a R$ 3500,00, hoje adotou-se R$ 1500,00.

Com certeza a mudança foi política, pois o governo poderá dizer: 20 milhões de famílias brasileiras entraram na classe média! Na verdade, nunca estiveram nela, estão do mesmo jeito que sempre, com a mesma renda, o que mudou foi o alongamento da classe, considerando renda bem menor como classe média.

Duvido que uma família com renda de 1500 mensais possa comprar um carro zero km ou quase zero, pagando prestações de R$ 500,00 ou mais por mês, fora o gasto com combustível, manutenção, seguro, etc.

O que podemos resumir é, nossa classe média na verdade minguou, se comparamos com a renda americana, e diga-se bem, eles sabem o que é verdadeiramente ser classe média.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Portugal dá tiro no próprio pé

Não poderia ter outro título se não esse, tiro no próprio pé, ao suspender o pagamento do décimo tercerceiros salários para aposentados e servidores públicos, tudo para economizar recursos e pagar a dívida aos banqueiros. Isso não é crítica de comunista ou socialista, pelo contrário, não sou nada esquerdista, mas a farra dos banqueiros já se mostrou cruel nos EUA no caso do Subprime (concessão de financiamentos para quem não tinha condições de pagar e sem comprovação de renda). Quebrou os EUA. Tirar o dinheiro da mão da população é dar tiro no pé, menor será o consumo, menor será a renda, menor o crescimento econômico, maior será o desemprego, menor a arrecadação e consequente menor quantidade de recursos para pagar a própria dívida.

O que é melhor, pagar a dívida aos banqueiros ou matar o povo de fome, deixando-o sem emprego, sem condições de vida, desestruturando famílias? O sistema capitalista selvagem tem dado prioridade ao banqueiro e não ao povo, os banqueiros se esquecessem que eles só existem porque o povo deixou se rico dinheiro depositado neles. Melhor um banco quebrar que toda uma nação.

Mas pelo visto não é o que pensam os governantes de vários países da União Européia.

Preferem dar tiro no próprio pé. Como fez Portugal, fim do décimo terceiro salário, aumento de impostos em 100%, etc.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Crise na Grécia: povo sem dinheiro e bancos com muito.

A Crise na Grécia me faz pensar novamente, até que pontos devemos matar o povo de fomo, deixá-lo sem emprego, empobrecer o país mas pagar a dívida com o bancos? Isso não é capitalismo, poderia chamar de de sistema destruitivo. Você destrói a sociedade, deixa milhares de famílias sem sustento, desquece bruscamente a economia gerando recessão profunda, corta salários dos que ainda tem emprego, mas paga feliz os bancos? Danem-se os bancos! Já vi esse filmes antes na América Latina.

O Governo da Grécia demitiu 30 mil servidores públicos e depois irá demitir mais 200 mil. Ora, essas pessoas alguma função desempenhavam, não passavam o dia coçando. É a ruína dos serviços públicos no país. Os que ficarão irão trabalhar por quantos? E ainda com salário à metade?

Nunca vi tamanho tiro no pé, e o Banco Central Europeu continua liberando dinheiro para pagar as dívidas dos endividados, que ficarão ainda mais endividados e irão se afundar cada vez mais.

Estava na hora do povo da grécia destituir o governo, tomar o poder e mandar os bancos às favas!

Maioria dos economistas descordaria de mim, mas no caso da Grécia, considero a única via viável.
Ah, chutem também o euro e voltem à velha Dracma, que possui mais de 2 mil anos de existência e sempre manteve a Grécia forte!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Montadoras de automóveis com pátios lotados, por que será?

As montadoras estão dando férias coletivas para os funcionários, o motivo? Estoques ao máximo. Por que isso está acontecendo? A resposta é simples. Mais de 80% das vendas realizadas nos últimos 2 anos foram por meio de financiamento. Vamos dar como exemplo um veículo de R$ 32 mil financiado 100%. Com 60 prestações de R$ 920,57, taxa de juros de 2% ao mês. Após 12 prestações pagas, o saldo devedor ainda será de R$ 28.236,00. Sendo que no primeiro ano o carro sofre uma depreciação no seu preço da ordem de 15%. O preço dele de mercado será de R$ 27.200,00. Ora, o saldo devedor ainda é maior que o valor de mercado do automóvel., Isso quando as revendas não depreciam ainda mais o veículo na hora da avaliação. A tendência é que quanto mais luxuoso seja o carro maior sera o % de depreciação no primeiro ano de uso. A pessoa que está vendendo este automóvel para adquirir outro carro zero km conseguirá vender o bem? Pode até conseguir, mas irá receber ZERO por eles, isto é, apenas irá passar as prestações para outra pessoa.

Fazendo uma nova suposição, que a pessoa tenha pago 24 parcelas, o saldo devedor dela será de R$ 23.464,00, e o valor de mercado de seu carro será na ordem de R$ 24.500,00. Na hora de vender o bem vai lhe dar um saldo positivo de apenas R$ 1 mil.

Como se pode ver, a pessoa fica totalmente amarrada ao bem que adquiriu. Somente conseguirá algum saldo razoável depois de pagos pelo menos 36 parcelas, onde seu saldo devedor será de R$ 17.400,00, e seu veículo estará custando cerca de R$ 22 mil reais ou um pouco mais.

A quantidade de brasileiros com veículos financiados a longo prazo é muito alta, estas pessoas dificilmente conseguirão se livrar de seus automóveis para adquirir outro carro zero km. Resultado: os pátios das montadoras começam a ficar lotados e vendas em baixa.

Por sinal, o que está mantendo as vendas a um nivel razoável é os frotistas (carros de seguradora, grandes empresas, etc). Pois renovam seus veículos com certa frequência.

A grande dica é, não financiar 100% o automóvel, dar pelo menos 30 a 40% de entrada, assim seu saldo devedor sempre será menor que o valor de mercado do automóvel, facilitando na hora da revenda ou quitação para aquisição de outro veículo zero km.
O difícil mesmo é ter a bendita entrada!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

BC sede às pressões e baixa taxa de juros em 0,5%

Analista de mercado não gostaram do BC ter baixado em 0,5% os juros, pressão que o governo vinha fazendo sobre o Banco Central. Acham que a independência do BC ficou abalada. A questão toda é que a inflação está em alta, com a meta anual ultrapassada e uma baixa na taxa de juros poderá aumentar ainda mais a inflação.

A questão da inflação no Brasil é preocupante, pois além de estar crescendo, o mercado acha que com juros altos (por sinal o maior juro real do mundo), a inflação será controlada. Essa afirmativa não é totalmente verdade, existe outros aspectos nos gastos do governo, no déficit das contas públicas que vem gerando essa inflação. Mesmo com juros altos, o brasileiro vai às compras pois está acostumado a pagar juros altos no crediários, empréstimos pessoais, etc. Se subir um pouco mais, não fará diferença no consumo.

Você ja viu alguém deixar de tomar um empréstimo porque o juro mensal subiu de 3% para 3,5%? Eu nunca vi. Temos a cultura de que precisamos, pagamos e pronto. Ninguém deixa de tomar empréstimo, de se afundar no crediário ou cartão de crédito porque os juros subiram. Por isso, no Brasil, alta de juros só serve para o governo pagar bilhões de Reais a mais financiando a dívida.

De certa forma, a redução dos juros básicos em 0,5% foi acertada, pois quanto maior a taxa de juros, maior a entrada de capital especulativo na economia e consequente Real mais valorizado frente ao dólar.